Consumo de bebidas caseiras atinge níveis preocupantes na província da Huíla

O consumo e venda de bebidas alcoólicas caseiras fermentadas no município da Humpata, província da Huíla, atingiu níveis que preocupam as autoridades locais, que consideram ser um problema de saúde pública.

O movimento é notório das seis da manhã às 22 horas, onde é possível ver consumidores e vendedores, entre jovens e idosos deitados ao chão ainda durante o dia, enquanto outros caminham apoiados nas paredes embriagados.

De entre as mais consumidas está o Macau, bebida feita à base de farelo de massambala ou massango e o caporroto de cana-de-açúcar ou banana. O preço varia de 50 e 100 kz o litro nas fermentadas, enquanto a chamada “água do chefe” custa entre 200 a 400 kz.

Celestina António, de 59 anos de idade, afirmou à reportagem que começou fazer o uso de bebidas alcoólicas aos 40, “por desgosto da vida e sofrimento familiar”, pelo que não pensa em deixar, pois “encontra no álcool o alívio para os problemas”.

Já a produtora e consumidora Margarida Jovala, de 35 anos de idade, disse que optou pela venda devido as dificuldades financeiras, mas começou como cliente e depois percebeu que havia rendimentos para quem comercializava, ressaltando que ganhos fixam-se entre 10 a 14 mil kz/dia.

A fonte alega que as bebidas caseiras não fazem mal à saúde, quando se opta por um único tipo, apelando para que os seus clientes evitem a mistura.

Por sua vez a responsável pelas doenças respiratórias do Hospital Municipal da Humpata, Lídia Pintal, informou que o uso de bebidas alcoólicas acarreta consequências graves à saúde humana, desenvolvendo doenças, sendo a tuberculose a mais comum, cujos números são alarmantes.

Destacou que os doentes chegam debilitados e muitas vezes não conseguem andar por sentirem-se cansados, dado emagrecimento progressivo, tosse e dor de peito.

Conforme a fonte, dão entrada na unidade, em média, dez pacientes/dia com complicações respiratórias e abdominais resultantes do consumo exagerado dessas bebidas e algumas acabam por morrer.

Já a psicóloga Idalina Contreiras declarou que o álcool actua directamente no cérebro e quando as pessoas fazem o uso do mesmo ficam transformadas, algumas de forma triste e outras alegres.

“Para aqueles que ficam tristes têm a tendência de atacar os outros, chegando ao ponto de matar, pois elas perdem a noção do que faz e há aqueles que não conseguem pegar um objecto em sua mão porque o cérebro não transmite nos seus membros superiores”, explicou.

As bebidas alcoólicas possuem em sua composição o álcool comum, cujo princípio activo é o etanol. Elas diferenciam-se umas das outras principalmente pelas matérias-primas utilizadas em suas produções e pelos diferentes teores alcoólicos.

Porém, o processo bioquímico usado na fabricação das bebidas alcoólicas é basicamente o mesmo, que é a fermentação, isto é, o processo em que micro-organismos (leveduras) digerem os açúcares de determinados alimentos, mas no caso das caseiras, tem se registado uma certa adulteração com o uso de fermento para aumentar a quantidade, situação que provoca doenças.

Créditos: ANGOP

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